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A deputada, uma roleta e Aristóteles – Por Ricardo Chaves

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*O autor é graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário do Norte. Atualmente é estudante do curso de Relações Públicas da Universidade Federal do Amazonas. Foto: Kevin Souza.

Imagina comigo, dona Teresa moradora do Armando Mendes, bairro periférico de Manaus, foi sorteada e participará do programa Roda a Roda do Silvio Santos. Para ganhar o prêmio de R $ 1 milhão, terá que rodar a roleta e torcer que a seta aponte para a foto do deputado federal do Amazonas que não responde a processo na justiça, ou seja, não preciso ir tão longe para dizer que dona Teresa precisa contar com o apoio do alto plano para ter êxito na empreitada, dada a remota possibilidade de vencer.

Dei esse exemplo quando comentei com um amigo a notícia que sacudiu o mundo político com a escolha da deputada Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho e as circunstâncias que cercaram sua ida para a pasta. A futura ministra é acusada de receber R$ 200 mil de caixa 2 da Odebrecht e seu suplente, Nelson Nahim, já foi condenado a 12 anos por estupro de vulnerável. Além de já ter sido preso em duas oportunidades por envolvimento com exploração de menores, só foi solto graças a um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal.

Mal terminaram as festividades de fim de ano, o governo Temer se antecipou e carnavalizou na frente de uma nação com 12 milhões de desempregados a indicação do nome que ocuparia o Ministério do Trabalho, numa jogatina de poder que envolveu Roberto Jefferson e o ex-presidente José Sarney. A sensação dada é que a vontade de resolver os problemas do país fica em segundo plano. Não há interesse na promoção do bem comum na vida coletiva. O que existe é um jogo onde o que importa é se o meu “eu” será servido e satisfeito a custa de outros.

Toda vez que me deparo com esse tipo de notícia me lembro de algumas definições de Aristóteles. A política é definida por ele como “um espaço de ação, onde a pólis (Estado) deve visar sempre o bem comum dos cidadãos”. A realidade da política brasileira é bem diferente. Temos uma corrupção institucionalizada que faz o termo política provocar desconfiança, repulsa, insegurança e descrédito da sociedade.

Aristóteles diz, “todo homem é um animal político por natureza” e define o conceito de homem virtuoso “aquele que governa bem e que exerce a política em vista do bem comum”. O homem de Aristóteles é um animal político por natureza, mas “à medida que está inserido no campo político o homem também se corrompe no sentido em que se deixa influenciar pelo poder”, primeiro começa praticando pequenos atos ilícitos, até atingir estes grandes atos de corrupção denunciados e expostos diariamente nos noticiários. Ao cometer atos ilícitos o homem se torna desvirtuoso, perde a moral e a concepção de justa medida, pois deixa de praticar a política honesta e se deixa influenciar pelos desejos pessoais e vontades próprias entrando no mundo da corrupção propriamente dita.

Faz tempo que o Brasil perde em transparência política e nas virtudes do homem político de Aristóteles, esses episódios da política nacional devem servir para despertar em nós o senso crítico necessário para começarmos a trabalhar a mudança a partir da prática cotidiana. Ao dizer não a corrupção e não nos deixar ser subornados, teremos um país mais limpo e justo para todos.

*O autor é graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário do Norte. Atualmente é estudante do curso de Relações Públicas da Universidade Federal do Amazonas.

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