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Artigo: Incertezas que cercam eleições de 2018 recordam pleito de 1989 – Por Ricardo Chaves

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*Ricardo Chaves é bacharel em Relações Internacionais. Foi presidente do Centro Acadêmico de Relações Internacionais e dirigente da UEE. Estudante de Relações Públicas da UFAM e membro titular do Conselho de Alimentação Escolar – CAE-AM.

Crise política, econômica, quadro partidário sem rumo e em frangalhos. Não bastasse isso o governo que aí está impõe uma agenda que “nunca na história desse país”, teria força para ser eleita pelo voto popular. É nesse cenário nebuloso que nós vamos as urnas ano que vem escolher o próximo presidente do Brasil, num pleito que promete ser pulverizado com nomes dos mais diferentes campos e ideologias, assim como aconteceu em 1989.

Naquela eleição que ocorreu a quase trinta anos, vinte e dois nomes concorreram ao Planalto. A conjuntura era de um povo que após 20 anos de ditadura militar, teve novamente o direito de escolher o presidente pelo voto direto. Só com esse dado é possível supor o tamanho da empolgação que tomou conta da população, políticos e figuras folclóricas que contribuíram e escreveram mais um capítulo da nossa história depositando as cédulas de votação nas empoeiradas caixas eleitorais.

Pode se dizer que hoje vivemos um tempo que rememora esses anos, a nova composição de poder após o golpe branco sofrido por Dilma Rousseff refez o equilíbrio político, e algumas alianças históricas saem de cena para trazer novos atores numa disputa que trás nomes capazes de atrair grande quantidade de votos.

Com todas as ressalvas de uma análise com tamanha antecedência, chama atenção o movimento que faísca a meses com a possível, e já desmentida candidatura de Luciano Huck, figura da mídia, ainda sem partido, mas cortejado por muitos, isso relembra um fato marcante ocorrido em 89, naquela eleição, Silvio Santos tentou ser candidato à presidência. A tática é a mesma: nome de fora da política que surge como testa de ferro de uma candidatura que aglutina as mesmas forças e grupos que surrupiaram e surrupiam a República. E que tal empurrar um Henrique Meirelles, ministro de Temer, como vice?

A empreitada de Silvio Santos começou ao se lançar candidato quinze dias antes do primeiro turno de 89, sem estrutura partidária e muito menos ideias claras sobre os rumos do país, foi uma candidatura claramente fundamentada na força de seu nome. Prova disso foi o surgimento imediato de pesquisas que apontavam sua ida ao segundo turno com Collor e até um empate técnico em algumas. É certo que se compararmos na frieza dos números Luciano Huck aparece lá pelo terceiro, quarto ou quinto em algumas pesquisas, não tem a mesma força que Silvio teve em 89, talvez por não decolar Huck tenha declarado no início dessa semana que não será candidato, mas a movimentação feita em torno de sua possível candidatura deve ser observada como muita atenção.

Não custa relembrar que Silvio Santos foi vítima das mesmas mãos que trabalharam para convencê-lo a ser candidato e depois fizeram de tudo para tirar seu nome da disputa. O comunicador seria candidato pelo PFL (hoje DEM) no lugar de Aureliano Chaves, até então candidato, mas que desistiria de concorrer e lhe cederia o lugar. No entanto, articulações de caciques da legenda e interesses de grupos de comunicação fizeram com que Aureliano voltasse atrás e não cedesse o lugar para o animador. Insistindo na disputa, Silvio peregrinou por uma legenda até chegar ao pequeno PMB (Partido Municipalista Brasileiro) que tinha lançado o pastor Armando Corrêa que renunciou a candidatura oferecendo a vaga ao “homem do baú”.

Apesar do esforço e ter gravado programas eleitorais tentando ensinar o eleitor a votar nele (naquela altura não tinha como tirar o nome de Corrêa das cédulas, Silvio teve que invadir o horário político dizendo “votando Corrêa 26, você vota no Silvio”) a aventura chegou ao fim. O Tribunal Superior Eleitoral impugnou sua candidatura, a justificativa foi que o PMB não havia realizado as convenções estaduais necessárias, quem descobriu a irregularidade do partido foi veja só, Eduardo Cunha, apoiador de Collor que tinha muito interesse no fracasso da candidatura do dono do SBT, afinal, ele podia ameaçar a eleição do “caçador de marajás”.

Nas incertezas que cercam a eleição que se aproxima quem sabe a epopeia de Silvio em 1989 campeie solta em 2018. Em um cenário de discursos extremos, puxadas de tapete, muitos pré-candidatos e carregado de um tosco moralismo, o desenho mostra que de tudo pode acontecer.

*Ricardo Chaves é bacharel em Relações Internacionais. Foi presidente do Centro Acadêmico de Relações Internacionais e dirigente da UEE. Estudante de Relações Públicas da UFAM e membro titular do Conselho de Alimentação Escolar – CAE-AM.

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