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Artigo : O que revela a eleição suplementar do Amazonas – Por Eron Bezerra

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* Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

 

No dia 06 de agosto os eleitores amazonenses voltaram às urnas por conta do afastamento do então governador José Melo (PROS) e seu vice, Henrique Oliveira (Solidariedade), cassados pelo TSE por corrupção eleitoral e abuso do poder público.

 

Dos 2.338.886 eleitores aptos a votar nada menos que 36,32% se abstiveram, votaram em branco ou anularam seu voto, totalizando a estrondosa cifra de 849.528 eleitores que simplesmente não conseguem enxergar saída para os males do estado – e os seus próprios – pela regra democrática vigente. É o preço da criminalização da política sendo impiedosamente cobrado.

 

Talvez isso explique, inclusive, um outro fenômeno recente pouco analisado: a absoluta ausência de pessoas na rua no dia em que a Câmara dos Deputados votou para aceitar ou não que Temer fosse a julgamento no STF. Tudo indica que há um cansaço, uma fadiga de materiais.

 

E, perigosamente, também “explica” o crescimento de figuras caricatas como Jair Bolssonaro, que hoje chega aos 22% dos eleitores de Manaus

 

Coerente com esse cenário, todavia, o resultado do pleito não indica saídas fora do “manual”. Ao contrário, sinaliza para o retorno aos velhos modelos. É o que explica, sem dúvidas, que Amazonino Mendes tenha sido o mais votado no 1º turno, com 38,77% dos votos válidos.

 

Amazonino Mendes (ex-PFL) notabilizou-se por articular a compra de votos de deputados para garantir a emenda de reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Era prefeito de Manaus em 2012 quando não conseguiu concorrer à sua própria reeeleição em decorrência de sua estripitosa ineficiência e rejeição. Apoiou Artur Neto (PSDB) que agora oferece o vice do PSDB nessa aventura.

 

Assim, o 2º turno será disputado entre dois ex-governadores Amazonino versus Eduardo Braga (PMDB) que alcançou 25,36% dos votos, seguido por Rebecca Garcia (PP) com 18,06% e José Ricardo (PT) com 12,17%.

 

Enquanto Eduardo Braga se perfila num campo democrático, se posiciona contra as reformas de Temer e anuncia seu prévio apoio a uma candidatura do campo popular na corrida presidencial de 2018, Amazonino se perfila com o que tem de mais atrasado na esfera nacional e estadual.

 

Mas essa disputa também serve para demonstrar que A PRÁTICA É O CRITÉRIO DA VERDADE, especialmente quando insistíamos que:

  • A pulverização de candidaturas era uma tática da direita para favorecer seu candidato.
  • Que a única possibilidade de evitar isso seria construir uma candidatura eleitoralmente viável.
  • E que a base para a aliança seria o compromisso de ser contra as reformas anti-povo de Temer.

 

Os fatos demonstraram a justeza dessa análise.

 

Agora é preciso juntar todos que tenham compromisso com a democracia e contra as reformas anti-povo a se perfilarem para impedir que se consolide um polo de direita no estado do Amazonas.

 

É preciso ter claro que, nesse momento, diante da polaridade estabelecida, a omissão é uma declaração de voto indireto para Amazonino e seu projeto de extrema direita.

 

 

* Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

 

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