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Vanessa : A quem interessa a neutralidade na eleição no Amazonas?

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Concordo com Menalton Braff quando ele afirmou que “toda a neutralidade é uma ingenuidade” (Carta Capital – Da Neutralidade). E vou mais além: há quem queira camuflar suas posições escolhendo ficar em cima do muro.

O cronista Menalton Braff reforça sua assertiva com os ensinamentos do filosofo alemão Hegel (1770-1831) para quem a estrutura da realidade é triádico: tese, antítese e síntese.

Há uma relação intrínseca entre tese (afirmação), antítese (negação/contradição) e síntese (o novo que surge dos opostos). Para que uma árvore dê fruto, antes houve o botão e a flor.

É como aquele cidadão que se diz neutro ao observar uma briga de casal, mas que na visão hegeliana ao não meter a colher está reforçando um lado. Neste caso, beneficiando o agressor, corroborando com a tese na luta contra a antítese.

Na política as coisas não são diferentes. Neste segundo turno das eleições suplementares no Amazonas, a neutralidade vem sendo propalada por muitas lideranças políticas sob o argumento de que não há diferenças entre os candidatos.

São posições lamentáveis que naturalmente só reforçam a situação vigente. Ajudam sobremaneira o grupo político que foi afastado recentemente do poder por compra votos, que arrasou a economia, saúde, segurança e educação do Estado.

Foi essa turma que garantiu o seu candidato, Amazonino Mendes, como primeiro colocado na disputa de segundo turno. Portanto, o candidato leva vantagem quando o segundo colocado encontra dificuldades para formalizar novas alianças.

Nós do PCdoB temos posições firmes desde o primeiro turno. Além da real chance de impor uma derrota ao grupo do ex-governador José Melo, entendemos que as propostas de Eduardo Braga, assim como sua postura contrária às reformas Trabalhista e da Previdência de Michel Temer, nos aproximam.

Por outro lado, levamos em consideração que a outra opção é o que tem de mais atrasado na política nacional e local. O candidato Amazonino tem apoio de partidos como PSDB, DEM, PSD, entre outros, cujas lideranças representam a consolidação do golpe parlamentar que afastou um governo legitimamente eleito, que nada mais é do que aprovar as reformas antipovo, como disse o senador Romero Jucá: “Tu acha que ganha eleição dizendo que vai reduzir aposentadoria das pessoas?”

Amazonino não traz saudades ao Amazonas e a Manaus. Sem demonstrar sentimento algum, o candidato entregou outrora de bandeja ao capital privado e estrangeiro o patrimônio do povo amazonense como a Cosama (companhia de água), o Banco do Estado do Amazonas (BEA) e o Porto de Manaus.

Uma ação pública por nós impetrada na Justiça Federal impediu que ele também entregasse ao capital norte-americano toda a riqueza do gás natural produzido em Urucu, Coari.

Por fim, ao ficar neutro numa hora tão decisiva para o nosso Estado não significa ausência de posição e responsabilidade. Como diz Beto Guedes na Canção do Novo Mundo: “Quem perdeu o trem da história por querer/Saiu do juízo sem saber/Foi mais um covarde a se esconder/Diante de um novo mundo.

Vanessa Grazziotin é senadora pelo PCdoB do Amazonas

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