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Marcha pela Ciência protesta contra cortes de Temer

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Foto divulgação

O futuro da ciência, para além de incerto, está profundamente ameaçado de extinção. Temer e sua equipe política não compreendem e, se compreendem, ignoram completamente o impacto de tais cortes.

Segundo Tamara Naiz, presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Temer considera investimentos como gastos e à medida que os cortes aumentam, se torna mais difícil conseguirmos retomar as conquistas científicas. Ela complementou dizendo que a população não sentirá o contingenciamento imediatamente, mas daqui dois anos, a perda nesses setores será notável.

“Em pouco tempo, em questão de um ano, as pesquisas que acabamos de fazer se tornarão obsoletas e será necessário fazer um investimento muito maior para recuperar um pouco das perdas que estamos tendo agora”, finalizou Tamara Naiz em uma entrevista .

Já em entrevista à União Nacional dos Estudantes (UNE), Naiz completou o raciocínio: “O governo brasileiro passou em um ano de 1,6 do PIB para 0,5 do PIB. Estamos investindo menos em ciência do que os países mais pobres do mundo e isso é muito lamentável”.

Karol Rocha, diretora de comunicação da ANPG, também explica: “A ciência brasileira é uma questão de soberania nacional e o corte proposta para este ano e 2018 está acabando com o futuro e pesquisas”.

De acordo com os cálculos realizados pelo economista Carlos Frederico Leão Rocha, professor do Instituto de Economia da UFRJ, para a campanha Conhecimento Sem Cortes, o setor de Ciência e Tecnologia do país vem perdendo cerca de R$ 500 mil por hora, ou mais de R$ 8 mil por minuto, em investimentos federais desde 2015. Um total assombroso de R$ 11 bilhões em cortes. Essas reduções significam uma perda de cerca de 50% do total de financiamento para a produção de conhecimento nesses dois anos.

Diante dessa drástica diminuição, institutos de pesquisa já anunciaram a real possibilidade de fecharem as portas, como por exemplo o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas do Rio de Janeiro e o Laboratório Nacional de Computação Científica.

A comunidade científica, entidades, especialistas e até ganhadores do prêmio Nobel já alertaram para os riscos que o país corre. Segundo eles, o resultado será a inviabilização da continuidade da pesquisa científica no Brasil.

Em carta em 28 de setembro, 23 ganhadores do Prêmio Nobel afirmam que os cortes irão “prejudicar o país por muitos anos, com o desmantelamento de grupos internacionalmente renomados e uma ‘fuga de cérebros’ que irá afetar os melhores e jovens cientistas” e “comprometer seriamente o futuro do país”.

Marcha pela Ciência

A marcha realizada neste domingo foi o terceiro e maior ato realizado. Além de protestar contra os cortes de aproximadamente 40% do governo Michael Temer no orçamento da ciência brasileira, os participantes também reivindicavam a revitalização dos Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo e a luta pelas universidades públicas.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Marcos Buckeridge, professor da USP e um dos organizadores do evento, disse que a adesão superou as expectativas considerando as machas anteriores. Ele também destacou a diversidade dos participantes da marcha, com alunos de graduação, da pós-graduação, professores jovens, mais velhos, diretores de instituto, pesquisadores aposentados.

“Já estamos pensando na quarta marcha, mas gostaríamos que fosse diferente dessa, algo em que pudéssemos nos juntar e mostrar a ciência às pessoas”, afirmou Buckeridge à Folha de S.Paulo.

 

 

Fonte: Portal Vermelho / Redação PMP 

Categorias: Barbaridades do Temer

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