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Afastados da sala de aula, professores falam sobre o processo de readaptação

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Essa situação afeta 931 professores da rede estadual de ensino do Amazonas, e 447 professores da rede municipal de Manaus (Arte: Thiago Rocha)

Manaus/AM- Eles são obrigados a deixar as salas de aula geralmente por conta de problemas de saúde e recolocados em outras funções na área administrativa da escola. O choque é enorme e conviver com essa realidade não é fácil. Estamos falando dos professores readaptados. Quem passa por essa situação relata sofrer preconceito de certos gestores e educadores que sempre acham que o funcionário não está doente: ele está ‘inventando’.

Essa realidade pouco conhecida pela sociedade afeta 931 professores da rede estadual de ensino do Amazonas, e 447 professores da rede municipal de Manaus, de acordo com dados das secretarias Estadual e Municipal de Educação (Seduc e Semed). Para a maioria deles, a readaptação gera desrespeito, desvalorização profissional, sofrimento, exclusão, dentre outros obstáculos para o desenvolvimento da identidade profissional docente.

Concursada da Seduc e Semed, a professora de educação física Rosana Gomes da Silva, 50, há cinco anos precisou ser readaptada nos dois trabalhos por causa de uma surdez súbita no ouvido direito junto com uma tinnitus, zumbido forte e constante no ouvido que lhe causa desequilíbrio e desorientação. A notícia de que nunca mais poderia voltar à sala de aula e a discriminação dos colegas agravou seu estado de saúde, tanto  físico quanto psicológico.

Para ela, você perde identidade quando se readapta de função. “É terrível! Tem que esquecer que é professor. Eu fiquei depressiva, principalmente com a hostilidade dos colegas que acreditam que estamos de folga ganhando o mesmo que eles, o que não é verdade, pois na prefeitura o nosso salário diminui 10%. É muito triste que a nossa própria classe no trata assim, sendo que o professor adaptado não escolheu ficar doente”, afirmou.

Falta apoio
Rosana, que hoje trabalha na biblioteca, tinha 20 anos de magistério quando teve que ser readaptada. Ela evidencia a falta de apoio das secretarias de educação em relação a esclarecer aos demais educadores a situação dos professores readaptados dentro da escola. “Cheguei a ouvir até do porteiro que não sou mais professora. Me desconsideram como professora porque não estou ministrando aula. Como se eu tivesse escolhido isso”, declarou.

A professora de inglês e biologia Lúcia Maria Ferreira Garcia, 52, também tinha 20 anos de magistério quando precisou ser readaptada. Um laudo de depressão a tirou das salas de aula há dez anos. “No início somos marginalizados. Parece que o readaptado é um problema. Que não faz nada. Se você for fraco não aguenta. Eu já estava com depressão e houve dias que não queria ir para a escola de jeito nenhum. Eu chorava”, lembrou.

A Seduc possui 21.163 professores, destes 931 são readaptados lotados, Na Semed, de 14,9 mil servidores, 447 estão nessa mesma situação. Os dados são das  secretarias.

A dificuldade para aposentar
Outro problema que o professor readaptado enfrenta é relacionado à aposentadoria. Os empregadores querem que eles trabalhem mais cinco anos, além dos 25, para poder se aposentar. “A maioria precisa entrar na Justiça para conseguir se aposentar com 25 anos de contribuição”, afirmou Rosana Gomes.

Novas Funções
Na Semed e na Seduc, os servidores readaptados de função permanecem lotados nas escolas ocupando funções de auxiliar de biblioteca, apoio pedagógico, apoio administrativo, prestação de serviços na sede e secretária de escola, entre outros.

Fonte : Acrítica / Redação PMP 

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